A importância da inserção do Serviço Social no programa de estratégia saúde de família

Taíse Maria Bortoluzzi

Eliane Dal Piaia

Resumo:

Este trabalho é fruto do projeto de intervenção realizado como requisito da disciplina de Estágio Supervisionado em Serviço Social II. Trata-se de uma intervenção acadêmica junto a Secretaria Municipal de Saúde de Chopinzinho – PR, com objetivo de demonstrar a importância da inserção do Assistente Social no Programa Estratégia Saúde da Família.

Palavras chave: Family Health Strategy, Family and Social Servicesl.

Abstract:

This work is the result of the intervention project conducted as a requirement of the subject of Period of training Supervised in Social Service II. This is an academic intervention with the department of Health of Chopinzinho – PR, with objective to demonstrate the importance of the inclusion of Social Worker in the Program at the Family Health Strategy.

Key words: Family Health Strategy, Family and Social Services.

1 – INTRODUÇÃO

O presente artigo busca inicialmente tecer alguns comentários acerca do Programa Estratégia Saúde da Família, aliando a atuação profissional do Assistente Social frente a rotina de atuação e desenvolvimento do mesmo. Em um segundo momento, apresenta-se os dados coletados a partir da intervenção de um estágio de Serviço Social junto ao Programa Saúde da Família, o qual busca identificar o conhecimento dos profissionais que compunham a equipe do ESF sobre a atuação do Assistente Social no Programa. Por fim, apresentam-se as considerações finais.

2 – Alguns apontamentos sobre o Programa Estratégia Saúde da Família e a Assistência Social

As políticas públicas são aplicadas e desenvolvidas em várias áreas de atuação, como na saúde, habitação, educação, previdência social ou em outros programas que vão surgindo ao longo da contemporaneidade, as quais, visam desenvolver estratégias de ação para enfrentar as problemáticas sociais de terminado público-alvo.

Dentro das políticas públicas, surge a política de assistência a saúde, com a criação do Sistema Único de Saúde, 1990, posteriormente em 1991 por intermédio do Ministério da Saúde, implanta-se o Programa de Agentes Comunitários de Saúde – PACS, o que propulsionou a criação do Programa Saúde da Família – PSF em 1994. Com o PACS a família vem a ser o foco para ações da saúde no Brasil, atualmente o PACS é integrante do PSF[1], este que foi criado como estratégia para reorganizar o modelo de atenção básica à saúde no país.

Com a Estratégia Saúde da Família, o Ministério da Saúde visou a integralidade dos serviços para a população com inclusão social do indivíduo, da família, comunidade, meio ambiente, interligando desta forma, o trabalho de uma equipe de profissionais, denominados, equipes de saúde da família. Estas são equipes multiprofissionais que acompanham um número de famílias em uma área geográfica determinada. As equipes atuam para a “promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e manutenção da saúde da comunidade” (Revista nº 13, 2006).

Conforme Carvalho (2008, p.92), a equipe saúde da família desenvolve suas atividades visando a atenção básica da saúde, e desenvolvendo iniciativas de participação social e protagonismo do usuário, construindo vínculos  com o público alvo.  O estabelecimento de vínculos entre os indivíduos envolvidos, usuários e profissionais proporcionam uma relação de contínua procura pelos serviços, isso implica em visualizá-los não somente como consumidores eventuais dos serviços e permite um contato humanizado, o que deve ocorrer “(…) na atenção primária para que haja o gerenciamento do cuidado conforme cada necessidade” (CARVALHO, 2008. p.77).

Desta forma, os vínculos formados entre as famílias e a equipe do ESF buscam romper com a saúde curativa para atender de forma preventiva, onde, família e equipe comprometem-se na ação participativa e de integralidade, isso evidencia o novo modelo de atenção a saúde brasileira que rompe com a até então medicina hegemônica.

MONNERAT (2004. p.107) reforça que esse novo modelo de atenção básica à saúde em que o ESF está sendo implementado traz simplificação ou similaridade com modelos assistenciais de atendimento, sendo necessário dispensar atenção para as ações cotidianas não perderem o objetivo central que é o cuidado em saúde na família.

___________________________________

[1] O programa Saúde da Família, surge como estratégia para a estruturação dos sistemas municipais.

___________________________________

Frente ao posicionamento do autor, entende-se a necessidade da atenção básica possuir uma educação permanente em saúde, o que vem culminar com a implementação dos Núcleos de Atenção à Saúde da Família – NASF, o qual traz a integração de várias profissões para a atenção básica.[2]

Isso indica que os espaços profissionais do Sistema Único de Saúde encontram-se em construção, desde a década de 70, quando das unidades básicas de saúde nos municípios, se ampliaram, resultando atualmente no Pacto pela Saúde que prioriza as ações de vigilância e assistência de saúde nos territórios, espaço este que possibilita a “vigilância em saúde e resolução de grande maioria dos problemas assistenciais apresentados pelo usuário” (CARVALHO, 2008. p.169), assim como a educação permanente para todos os indivíduos no âmbito da saúde.

Mais especificamente a Estratégia Saúde da Família é composta por uma equipe interdisciplinar[3] que constrói um espaço de trabalho a partir das relações otimizando as ações com o saber coletivo, buscando desenvolver estratégias para ampliar e viabilizar o acesso da sociedade na rede de saúde.

A interdisciplinaridade promove uma ação de totalidade e de ampliação do espaço de ação, como no ESF que requer o conhecimento e compreensão de condicionantes e determinantes sociais, de entender conhecimentos e vivencias apresentados na realidade social. Portanto, essas compreensões vêm requerer a diversidade da prática profissional, é como afirma Monnerat (2004, p.130), “é necessário que a equipe se diversifique, com a inserção de profissionais com formação teórico-metodológica que tragam estes conhecimentos”, pois uma equipe básica remete a uma simplificação.

Dentro deste contexto, identifica-se a área de atuação do assistente social dentro do ESF, como um profissional que deve fazer parte destas equipes interdisciplinares.

___________________________________

[2] Os núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF, foi implantado através da Portaria 154 do Ministério da Saúde em 24 de janeiro de 2008, estes núcleos foram criados com objetivo de ampliar e dar mais resolutibilidade as ações de atenção básica. Esses núcleos serão integrados por profissionais de diferentes áreas, como: assistente social, educador físico, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo, terapeuta ocupacional e médicos acumpunturistas, ginecologistas, homeopatas, pediatras e psiquiatras. Estes profissionais atuarão com os já integrantes das equipes de saúde da família.

[3] Interdisciplinaridade, segundo MONNERAT (2004. p.125) é “(…) reciprocidade, significa ouvir e processar o que o outro diz, implica trabalhar com o pensar do outro e aprender a criar novas práticas”.

___________________________________

(…) ao integrar e articular os projetos sociais, inclusive os que extrapolam o âmbito da assistência à saúde, o assistente social mostra-se como um profissional que pode contribuir para a interdisciplinaridade das ações nesta área (BENATTI apud MARTINS, 2008. p.19).

Mesmo tendo muitos avanços, o programa e as equipes de saúde da família ainda tem aspectos a serem analisados, como as tendências atuais das políticas sociais e a priorização do atendimento tendo a família como objeto de trabalho, esse enfoque tem como objetivo desinstitucionalizar os centros de internação levando os doentes para o seio de sua família e também diminuir custos.

Ou seja, este profissional, assistente social, que também compreende a educação em saúde juntamente com outros profissionais pode colaborar para um projeto interdisciplinar que proporcione a abordagem educacional da saúde, aprimorando um diálogo entre o conhecimento popular e científico, além de promover o protagonismo dos usuários da saúde. “(…) o Serviço Social é uma profissão que tem a dimensão pedagógica como um traço constitutivo da sua intervenção na realidade” (VASCONCELOS, 2009. p.321).

Para atuar frente a realidade das dinâmicas familiares, as equipes devem estar em constante preparo e nisso inclui-se o conhecimento especializado sobre a temática familiar, para que além de trabalharem com a promoção e prevenção em saúde, compreenda-se a dinâmica familiar e comunitária atrelada a educação em saúde. Conforme Acosta e Vitalle “(…) essas exigências do saber profissional das equipes remetem a reflexão da necessidade de novas especialidades nas equipes” (ACOSTA e VITALLE, p.173).

Frente a necessidade de novas áreas de atuação junto a Estratégia Saúde da Família, nos reportamos a Vasconcelos (2009, p.315) o qual observa que, “(…) à composição das equipes básicas, polemizando quais categorias profissionais de nível superior deveriam inserir-se nas mesmas para que a Saúde da Família pudesse efetivamente alcançar os objetivos a que se propõe.”  e seguindo a percepção crítica deste autor, nos aprofundaremos em uma analise do quanto a equipe mínima ou básica se faz capaz de superar o velho modelo médico assistencialista biologisante da doença, alias o próprio Ministério da Saúde expõe que Saúde da Família não se limita a um atendimento básico de saúde, concorda-se portanto com este autor que diz adiante: “(…) somente profissionais de cunho biologicista não conseguem contemplar todos os aspectos do processo saúde-doença” (VASCONCELOS  apud MIOTO e ROSA, 2009. p.316). O assistente social não compõe a equipe mínima da estratégia saúde da família, porém as famílias são o grupo de enfoque para sua atuação profissional, visto que é nelas que se encontra maior vulnerabilidade social e nelas que o Ministério da Saúde implanta as equipes. Conforme Benatti (2009), aborda que a vulnerabilidade social não limita-se somente a comprovação de renda, mas também a composição familiar, as condições de saúde e acesso a serviços médicos, educacional, de trabalho, leis e políticas.

A categoria do Serviço Social tem buscado sua inserção nas equipes ampliadas, mesmo não estando oficialmente compostas por esta e demais categorias, porém, paulatinamente os assistentes sociais tem sido inseridos e ou prestam assessoria em algumas equipes do país, como cita Vasconcelos: “(…) estes profissionais prestam supervisão às equipes de Saúde da Família, acompanham o processo de implantação da estratégia e também atuam como especialistas” (VASCONCELOS, 2009. p.328).

O Serviço Social possui um leque muito grande de atuação frente ao ESF porém, precisa romper com os paradigmas, e demonstrar que a saúde não está ligada apenas ao fator biológico, mas sim, aos fatores, bio-psico-social.

3 – Sistematização dos dados coletados

Para a realização da intervenção acadêmica, inicialmente buscou-se contatar com o responsável pela Equipe Estratégia Saúde da Família, apresentado o plano de intervenção e solicitando a contribuição da Secretaria Municipal de Saúde de Chopinzinho – PR para a implantação do projeto de intervenção intitulado “A inserção do assistente social na estratégia saúde da família”.

Para a realização da intervenção que tinha como objetivo principal, demonstrar a importância da inserção do Assistente Social no Programa Estratégia da Saúde da Família, foi necessário a realização de três reuniões explicativas e dialogas envolvendo todos os profissionais da Saúde da Família do município, aplicando-se dois questionários, um no primeiro momento de intervenção com os profissionais e outro ao final das intervenções.

A intervenção possibilitou um contato e explanação sobre a atuação do Serviço Social na área da saúde para 77 membros da equipe saúde da família de Chopinzinho – PR.

Vale ressaltar que para a aplicação dos questionários, os quais tinham por objetivo traçar um perfil sobre o conhecimento do trabalho do Assistente Social junto ao ESF antes e após a intervenção, buscou-se uma amostra de três profissionais de cada nível técnico, sendo: médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliar de enfermagem, auxiliar de consultório dentário e agente comunitário de saúde, totalizando dezoito profissionais.

Dentre os profissionais 90% deles aceitaram participar da intervenção, respondendo os questionários. No primeiro questionário, perguntou-se aos profissionais se eles conheciam o trabalho do assistente social na área da saúde, sendo que as respostas foram: 70,50% responderam que conhecem o trabalho do Assistente Social na área da saúde e 39,50% não conhecem. Ainda para contemplar esta questão, indagou-se os profissionais sobre quais as opiniões sobre a intervenção do Assistente Social junto ao ESF, uma vez que, o profissional Assistente Social encontra-se inserido no programa do Município de Chopinzinho – PR.

“Acho o trabalho de fundamental importância, pois a equipe de saúde consegue muitas vezes focar somente a doença. Com o trabalho da assistente social a equipe consegue perceber a família de forma holística. (Marcos – enfermeiro)”;

“As visitas realizadas pela assistente social visam orientar as pessoas sobre condições de vida (habitação, higiene, relação familiar) e que podem melhorar as condições de saúde. (Pedro – auxiliar de enfermagem)”.

Dentre as falas fica claro o entendimento e reconhecimento do trabalho do Assistente Social frente ao ESF de Chopinzinho, entendendo que a intervenção do profissional vem a contribuir para além do trabalho preventivo e curativo, entendendo a partir da segunda fala, a necessidade de se  trabalhando as relações sociais que permeiam a família e que também são de ordem de saúde pública.

Questionou-se os profissionais se eles entendiam necessário a inserção do Assistente Social no Programa Estratégia Saúde da Famílias, as respostas foram:

“Todos os trabalhos quando desenvolvidos em equipe os resultados são melhores, saúde e assistência social devem andar juntas. (Pedro – agente comunitário de saúde)”;

“Sim, foi idéia da nossa equipe na última conferência. (Valquíria – auxiliar de gabinete dentário)”.

Frente a fala dos entrevistados, reportamo-nos a Cohn (2002. p,27), o qual fala que pensar em saúde é:

(…) como conciliar as profundas desigualdades sociais que marcam a sociedade brasileira com a democracia, num contexto de crescente invisibilidade social, da desvalorização da políticas sociais, (…), e exatamente quando se propõe a universalização desses direitos sociais.

E esse é o espaço de atuação do serviço social, atuar na garantia de direitos, nesta caso, a garanti de direitos referente a saúde, visando melhorar o atendimento e acesso da população usuária. Outro ponto que merece destaque é a segunda fala, a qual demonstra a importância das Conferências Municipais, espaços de discussão, avaliação e aprimoramento das políticas públicas.

Questionou-se ainda os profissionais se os mesmos possuíam dificuldades do seus afazeres profissionais, onde 56,25% responderam que não há dificuldades, e 43,75% responderam que encontram dificuldades.       A análise que realizamos frente a estes dados é que no cotidiano profissional as demandas explicitas por vezes são camufladas, seja pelo não entendimento profissional ou pelo próprio usuário que encobre seus problemas. Nesse sentido, Vasconcelos coloca que:

(…) se já é difícil, numa realidade tão complexa, apreender, sinalizar e priorizar demandas explicitas, as que são aparentes, a necessidade de se abstrair da aparência da realidade trabalhada, dificulta ainda mais a sinalização, apreensão e priorização das demandas implícitas, demandas ocultas, [...] (VASCONCELOS, 2002. p.179).

Podem portanto as demandas estarem implícitas em problemas internos relacionados ao usuário ou a família, como: de relacionamento, psicológico, desconhecimento dos direitos sociais. Sendo que frente a estas situações, como o assistente social possui um conhecimento técnico e metodológico para identifica o que permeia no contexto social familiar, pode contribuir para a resolução da problemática.

Como outro questionamento, solicitou-se para que os profissionais apontassem as três demandas mais importantes, entre as citadas, vinte e uma características diferentes, 57,1% destas relacionam-se a capacidade técnica de intervenção profissional do assistente social, dentre estas:

“Falta de informação da população sobre cuidados com a saúde. (Paulo, enfermeiro)”;

“Falta de comprometimento de hipertensos e diabéticos no tratamento. (Márcia, médica)”;

“Empenho e ética de alguns profissionais. (Antonio, agente comunitário de saúde)”.

Ao analisar estas respostas percebe-se que a educação em saúde atende a questão social e o interesse social, sendo um dos espaços mais ricos de atuação do assistente social na saúde. “A educação social não se efetiva a não ser relacionada à educação pessoal”. (VASCONCELOS, 2002, p.430).

Porém, a educação em saúde se faz importante para o desenvolvimento saudável, envolve mais que aspectos físicos, mas também deve compreender a saúde política, econômica, cultural, para que então se encontre a saúde social, que pode então amenizar estas demandas citadas pelos profissionais, e aperfeiçoar os serviços.

Ainda referente as demandas profissionais, questionou-se os profissionais sobre quais as demandas mais freqüentes no cotidiano do ESF, em que os usuários apresentam para os profissionais, vinte e oito respostas diferentes, destas, 64,28% correspondem a patologias físicas e 35,71% a questão social.

Analisarmos essas diferenças de percentuais remete a uma análise sobre essas demandas que vão além de diferenciar patologias físicas ou sociais, aliás, estão interligadas intimamente, pois se faltam aos cidadãos o trabalho, educação, saneamento básico, habitação, alimentação adequada, etc., falta-lhes a saúde, não ocorre o desenvolvimento necessário para que estes cidadãos se mobilizem ou articulem coletivamente para reivindicar o que lhes falta e perceber que tem poder através do conhecimento e que leva a ações democráticas, até para consigo mesmos, para com a saúde individual e dessas famílias. Como cita Vasconcelos:

(…) realizar um trabalho profissional com os usuários como sujeitos de direito, contribuindo para o acesso à saúde como um direito social, exige dos assistentes sociais captar o que há de social relacionado à questão da saúde, para além da dor, do sofrimento, da informação pontual para resolver problemas emergenciais e da doação, de educação básica em saúde, [...].(VASCONCELOS, 2002.P.450)

Nesta citação analisa-se mais uma vez o objetivo deste trabalho que é demonstrar a importância da inserção do assistente social nas equipes de saúde da família, com seu olhar diferenciado, não mais importante, mas integrador para auxiliar na resolução da problemática da comunidade em que as equipes estão atuantes, e que responderam este questionário.

Após a segunda e terceira abordagem com os profissionais em reunião pública, quando apresentou-se o significado da profissão; das demandas que os profissionais podem estar apresentando para o Assistente Social conforme sua capacidade técnica; e da socialização de informações com folder; aplicou-se o segundo questionário, com o intuito de perceber em suas respostas, as novas descobertas frente a profissão de Serviço Social, visto que esta foi a primeira vez que tiveram  informação de tal assunto.

Para a elaboração deste segundo questionário observou-se as respostas do questionário anterior, ou seja, dos 39,5% que não conhecem o trabalho do Assistente Social, 100% deles no segundo questionário responderam positivamente sobre a necessidade de uma socialização e ou divulgação de informações sobre o que é a profissão de Serviço Social na área da saúde.

Dentre os profissionais que já conheciam o trabalho do Assistente Social questionou-se sobre as percepções das competência e atuação do assistente social na dinâmica diária do ESF. Dos respondentes, 66,66% disseram que identificaram a atuação do Serviço Social na rotina diária do ESF, já 33,33% responderam que não. Neste momento torna-se importante ressaltar a necessidade de esclarecimentos sobre as mais variadas área de atuação, uma vez que, em muitos momentos os profissionais não são reconhecidos por desconhecimento de suas funções e ou atuações. Sendo que após o conhecimento sobre suas atribuições em muitos momentos os profissionais são requisitados.

Frente ao conhecimento sobre as competências do Assistente Social, questionou-se os profissionais em quais situações o Assistente Social pode estar atuando no atendimento das famílias, enquanto integrante da equipe ESF.

“Na escola, com criança e adolescentes e familiares excluídas pela própria comunidade tendo alcoólatras, doentes mentais” (Joana, auxiliar de enfermagem);

“O Assistente Social tem papel importante nos problemas familiares dos pacientes onde esses problemas fogem do alcance das equipes de saúde” (André, dentista”;

“Levantamento socioeconômicos, orientações, encaminhamentos, desenvolvendo projetos para o bem da coletividade.” (Carlos, médico).

Frente a fala dos profissionais, fica claro o entendimento sobre a atuação do assistente social no ESF, o qual tem o papel de trabalhar com as demandas sociais, envolvendo a família no seu contexto sócio-histórico, atrelado estes a educação da saúde pública

Frente a atuação do Assistente Social questionou-se os profissionais sobre quais as contribuições que o mesmo pode trazer para o ESF.

“Principalmente com orientações que fogem da alçada da saúde, ou que o profissional da ESF não tem embasamento legal para resolver” (Paula, auxiliar de consultório dentário);

“Junto com a equipe ESF, nas famílias carentes e atendendo as necessidades particulares de cada um” (Márcia, auxiliar de consultório dentário);

“Somar junto as equipes ESF com o intuito de melhor atender todas as famílias” (Janaina, dentista);

“Contribuem para melhorar o quadro multiprofissional e consequentemente a qualidade do atendimento ao paciente.” (José, enfermeiro).

Observando os princípios e diretrizes do SUS, da “universalidade, equidade, integralidade, descentralização, controle social, hierarquização dos serviços” (Lei 8.080/90 e 8.142/90), percebe-se a necessidade de inclusão de profissionais com diferentes conhecimentos, por trabalharem e ou executarem os serviços, os respondentes colocam tais considerações, ou seja, pela complexidade que é fazer cumprir tais diretrizes na atenção à saúde da população.

É como bem coloca Vasconcelos ao analisar a Resolução número 218/97 que reconhece algumas profissões da área da saúde:

(…) para tanto, pautou-se na preocupação com a integralidade da atenção e a participação social; na importância da ação interdisciplinar, no âmbito das diferentes profissões de nível superior para o avanço no que tange à concepção de saúde (VASCONCELOS, 2009. p.313).

A ESF é uma ação que o Ministério da Saúde cria para reorganizar o SUS e dar ênfase a suas diretrizes, para tanto os técnicos são a peça chave para que isso ocorra. Neste viés Vasconcelos (2009, p. 321), afirma que o Serviço Social contribuiu historicamente na área da saúde, entendendo a saúde como condições determinadas pelas condições de vida, tornando-se necessário uma formação cidadã com a participação de controle social.

4 – Conclusão

Atualmente a área da saúde tem absorvido grande número de assistentes sociais, principalmente na saúde pública, porém em nível primário da atenção a saúde ainda é um desafio a inserção na Estratégia da Saúde da Família. A partir da intervenção conclui-se que a inclusão de profissionais como o assistente social, além da equipe mínima enriquece e amplia o fazer de todos, fortalece o conceito ampliado de saúde, potencializa a integralidade e a organização do serviço.

O ESF é um novo espaço de trabalho e de inserção para o assistente social, e o próprio profissional precisa fazer uma análise de que não trabalha isolado, de que deve exercer suas ações de educação a saúde e promoção dos usuários dentro de uma equipe multiprofissional, articulando ações e serviços com outros setores.

Por fim conclui-se que a inserção do Serviço Social no ESF não deve ser vista como redentora das causas sociais, mas de forma que o Assistente Social pode contribuir para a compreensão da saúde como um fenômeno coletivo, isso pela promoção da saúde, compreendendo o processo dos efeitos dos problemas de saúde de várias pessoas e não isoladamente.

5 – Referências Bibliográficas

    ACOSTA, Ana Rojas; Vitale, Maria Amália Faller (org.). Família, Redes, Laços e Políticas Públicas. 2ª Ed. São Paulo: Cortez.

    BENATTI, Bibiana Cristina Granata. O Serviso Social e a Estratégia Saúde da Família: Potencialidades de uma aproximação. Disponível em: biblioteca.universia.net/ficha.do?id=41430130, dia 24/05/2009;

    BRAVO, Maria Inês Souza; VASCONCELOS, Ana Maria de; GAMA, Andréa de Souza; Monnerat, Gisele Lavinas; (orgs). Saúde e Serviço Social. São Paulo: Cortez; Rio de Janeiro: UERJ, 2004.

    CARVALHO, Gilson, et al. Redes de Atenção à Saúde no SUS: o pacto pela saúde e redes regionalizadas de ações de serviços de saúde. São Paulo: Idisa: CONASEMS, 2008.

    COHN, Amélia; et al. A Saúde Como Direito e Como Serviço. 3ª Ed. São Paulo: Cortez, 2002.

    Jornal do CFFa – NASF: Fonoaudiologia conquista espaço na Saúde Pública.Ano IX, número 36 – janeiro/fevereiro/março de 2008. São Paulo: Via Brasília Editora.

    Revista Saúde em Destaque, nº 13 – ano 02, abril/maio 2006 – Planejamento: Marco Lógico – Enfoque Lógico para a Gestão de Projetos. (Instituto Arruda e Associados), p.11-12.

    SUS – Sistema Único de Saúde – Legislação Básica, Secretária de Estado da Saúde  – Santa Catarina. 2001.

    VASCONCELOS, Ana Maria. A prática do Serviço social: Cotidiano, formação e alternativas na área da saúde. São Paulo: Cortez, 2002.

    VASCONCELOS, Kathleen Elane Leal; ET al. Serviço Social e estratégia saúde da família. Revista Serviço Social e Sociedade. Nº 98. Abr./Jun. São Paulo: Cortez. 2009. p.308-334.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

    *

    Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>