Dificuldades de Aprendizagem: uma realidade no contexto escolar

Sílvia Adriane Teixeira Amaral[1]

A interação entre o mestre e o estudante é essencial para a aprendizagem,

e o mestre consegue essa sintonia, levando em consideração

o conhecimento das crianças, fruto de seu meio.[2]

RESUMO

O artigo a seguir apresenta as dificuldades de aprendizagem diante das dificuldades mais conhecidas e que vem tendo grande repercussão na atualidade: dislexia, disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Sendo assim, a escola e os envolvidos no processo educativo devem estar atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem. Além disso, é preciso observar se as dificuldades podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais. É importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado. Os professores são os mais importantes no processo de identificação e descoberta desses problemas, porém não possuem formação específica para fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos, psicólogos e psicopedagogos. O papel do professor se restringe em observar o aluno e auxiliar o seu processo de aprendizagem, tornando as aulas mais motivadas e dinâmicas, não rotulando o aluno, mas dando-lhe a oportunidade de descobrir suas potencialidades.

PALAVRAS-CHAVE: educação – dificuldade de aprendizagem – escola.

[1] Artigo apresentado ao curso de Pós-Graduação Stricto Sensu em Desenvolvimenteo , na disciplina de Metodologia da Pesquisa e do Ensino Superior da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI.

[2] Aluno do curso, de Pós-Graduação Stricto Sensu em Desenvolvimenteo , Direito Cidadania e Desenvolvimento, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI.

[3] GARCÍA, J.N. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

ABSTRACT

The following article presents the difficulties of learning the best known face of difficulties and has had great repercussion in the news: dyslexia, dysgraphia, dyscalculia, dyslalia, dysorthographia and ADHD (Attention Deficit Hyperactivity Disorder). Thus, the school and those involved in education should be alert to these difficulties, noting that the signs and symptoms persist or are momentary. Furthermore, it should be noted that difficulties can arise from organic or emotional factors. It is important that they are found to assist the development of the educational process, realizing that they are associated with laziness, tiredness, sleepiness, sadness, agitation, disorder, among others, also considered factors that discourage learning. Teachers are the most important in the process of identification and discovery of these problems, but lack training to make such diagnoses, which should be made by doctors, psychologists and educational psychologists. The teacher’s role is restricted to observe the student and assist your learning process, making the lessons more motivated and dynamic, not labeling the student, but it gives you the opportunity to discover their potential.

Key – words: Learning. Education. Learning disorders.

INTRODUÇÃO

O presente artigo acadêmico tem por objetivo elucidar quais as maiores dificuldades de aprendizagem encontradas no contexto escolar; mostrando a seguir, qual a relação entre o fracasso escolar e a auto-estima dos alunos, assim como perceber em que medida a família contribui para o sucesso escolar.

Seu enfoque principal é mostrar aos profissionais da educação que não é o insucesso de aprendizagem de uma determinada matéria ou conteúdo específico que caracteriza a dificuldade de aprendizagem do aluno, mas todo um contexto maior que o engloba.

A importância de estudar o assunto apresentado se dá pelo fato de se perceber o elevado nível de evasão e fracasso escolar. Além disso, o presente trabalho busca mostrar a necessidade de conhecer o assunto abordado para que os profissionais envolvidos na educação possam desempenhar um papel eficaz na construção da educação de todos os envolvidos.   

2.0 REVISÃO DE LITERATURA

O termo dificuldade de aprendizagem começou a ser usado na década de 60 e até hoje na maioria das vezes é confundido por pais e professores como uma simples desatenção em sala de aula ou crianças desobedientes. Mas a dificuldade de aprendizagem refere-se a um distúrbio que pode ser gerado por uma série de problemas cognitivos, emocionais ou neurológicos, que podem afetar qualquer área do desempenho escolar.

De acordo com Brandão e Vieira (1992), o termo aprendizagem e suas implicações (dificuldades e distúrbios) tratam de uma defasagem entre o desempenho real e o observável de uma criança e o que é esperado dela quando é comparada com a média das crianças de uma mesma faixa etária, tanto no aspecto cognitivo como em uma visão psicrométrica.

Já, Kiguel (1996), afirma que dificuldades de aprendizagem seriam incapacidades funcionais ou dificuldades encontradas na aprendizagem de uma ou de várias matérias escolares.

Dificuldade de aprendizagem específica significa uma perturbação num ou mais dos processos psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou na utilização da linguagem falada ou escrita que pode manifestar-se por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar, ler, escrever, soletrar, ou fazer cálculos matemáticos. O tema inclui como problemas perspectivos, lesão cerebral, disfunção cerebral mínima, dislexia e afasia de desenvolvimento. O termo não engloba crianças que tem problemas de aprendizagem resultante de deficiências, visuais, auditivas, ou motoras, de deficiência mental, de perturbação emocional, ou de3 desenvolvimento ambientais, culturais ou econômicos, (CORREIA, 1991).

Frente a estas colocações nasce a necessidade de considerar, conforme Gusmão (2001), que dificuldade de aprendizagem representa uma falha no processo da aprendizagem que originou o não aproveitamento escolar. Pensando não somente em termos de falhas na aquisição do conhecimento (aprendizagem), mas também no ato de ensinar, este problema não se traduz somente como um problema inerente ao sujeito aprendiz no sentido de competências e potencialidades, mas sim em uma constelação maior de fatores e de sua inter-relação, que envolvem direta ou indiretamente esta complexa teia

Ressalta-se, no entanto, que o desenvolvimento de uma criança começa no interior da família, por este motivo os pais têm como missão criar um ambiente saudável de confiança, pois é na família que deveria se perceber as primeiras dificuldades de uma criança, é nela que a criança forma o mapa cognitivo.

Desde os primeiros momentos de vida a criança encontra-se dependente dos outros para sobreviver. Para que conquiste sua independência é preciso um processo de desenvolvimento evolutivo para buscar uma personalidade madura e harmoniosa com a combinação de fatores constitucionais, desenvolvimento psicomotor, intelectual e afetivo social, com a integração destes elementos a criança vai traçando seu perfil e sua identidade se completando com um modelo de conduto.

No momento em que a criança começa a freqüentar a escola, seus colegas e professores fazem parte de sua família; e esta fase da vida da criança que se pode perceber melhor se ela tem algum tipo de dificuldade de aprendizagem. É neste período que ela começa a ter novos desafios o que na maioria das vezes ela não tinha enquanto estava somente no convívio com a família.

Algumas das principais dificuldades de aprendizagem

Dislexia: é a dificuldade que aparece na leitura, impedindo o aluno de ser fluente, pois faz trocas ou omissões de letras, inverte sílabas, apresenta leitura lenta, dá pulos de linhas ao ler um texto, etc. Estudiosos afirmam que sua causa vem de fatores genéticos, mas nada foi comprovado pela medicina.

Disgrafia: normalmente vem associada à dislexia, porque se o aluno faz trocas e inversões de letras conseqüentemente encontra dificuldade na escrita. Além disso, está associada a letras mal traçadas e ilegíveis, letras muito próximas e desorganização ao produzir um texto.

Discalculia: é a dificuldade para cálculos e números. De um modo geral os portadores não identificam os sinais das quatro operações e não sabem usá-los, não entendem enunciados de problemas, não conseguem quantificar ou fazer comparações, não entendem seqüências.

Dislalia: é a dificuldade na emissão da fala. Apresenta pronúncia inadequada das palavras, com trocas de fonemas e sons errados, tornando-as confusas. Manifesta-se mais em pessoas com problemas no palato, flacidez na língua ou lábio leporino.

Disortográfia: é a dificuldade na linguagem escrita e também pode aparecer como conseqüência da dislexia. Suas principais características são: troca de grafemas, desmotivação para escrever, aglutinação ou separação indevida das palavras, falta de percepção e compreensão dos sinais de pontuação e acentuação.

TDAH: O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um problema de ordem neurológica, que trás consigo sinais evidentes de inquietude, desatenção, falta de concentração e impulsividade. Hoje em dia é muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados como DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção), porque apresentam alguma agitação, nervosismo e inquietação, fatores que podem advir de causas emocionais. É importante que esse diagnóstico seja feito por um médico e outros profissionais capacitados.

A criança que apresenta dificuldade na aprendizagem em sua maioria apresenta sintomas diversos como à tristeza, a timidez e a perda de iniciativa, agressividade, a ansiedade, tem dificuldade em se relacionar com os colegas e muitas vezes o professor não percebe que aquela criança tem uma dificuldade de aprendizagem e acaba por titulá-la como aluno problema.

Atualmente, vive-se um momento em que as necessidades dos alunos com dificuldade de aprendizagem está cada dia mais presente no dia a dia. Chega-se no momento que a escola não pode ser apenas transmissora de conteúdos e conhecimentos, muito mais que isso, a escola tem a tarefa primordial de “reconstruir” o papel e a figura do aluno, deixando o mesmo de ser apenas um receptor, proporcionando ao aluno que seja o criador e protagonista do seu conhecimento.

Levar o aluno a pensar e buscar informações para o seu desenvolvimento educacional, cultural e pessoal é uma das tarefas primordiais e básicas da educação. Para tanto é primordial que se leve em consideração as dificuldades de aprendizagem, não como fracassos, mas como desafios e serem enfrentados, e ao se trabalhar essas dificuldades, trabalha-se respectivamente a dificuldades existentes na vida, dando- lhes a oportunidade de ser independente e de reconstruir-se enquanto ser humano e indivíduo.

Segundo Freire (2003), o espaço pedagógico é um texto para ser constantemente “lido”, interpretado, “escrito” e “reescrito”. Essa leitura do espaço pedagógico pressupõe também uma releitura da questão das dificuldades de aprendizagem.

Infelizmente, a aprendizagem, em algumas instituições continua seguindo o modelo tradicionalista, onde é imposta e não mediada, criando uma passividade entre aquele que sabe e impõe e aquele que obedece calado.

É necessário levar em conta também os efeitos emocionais que essas dificuldades acarretam; se faz necessário para a criança criar um suporte humano e apoiador para que a mesma possa se libertar do que a faz ter dificuldade.

É importantíssimo ressaltar toda contribuição da Psicopedagogia, promovendo uma análise mais aprofundada da questão que envolve a aprendizagem proporcionando uma reestruturação e reinterpretação do verdadeiro fator que leva às dificuldades de aprendizagem, reconhecendo-se que essas dificuldades fazem parte de um sistema bio-psico-social que envolve a criança, a família, a escola e o meio social em que vive.

É louvável dizer que só será possível mediar às dificuldades de aprendizagem, quando se lidar com alunos de igual para igual; quando se fizer da aprendizagem um processo significativo, no qual o conhecimento a ser aprendido e apreendido faça algum sentido para o aluno não somente na sua existência educacional como também na sua vida cotidiana.

Enfim, não se devem tratar as dificuldades de aprendizagem como se fossem problemas insolúveis, mas, antes disso, como desafios que fazem parte do próprio processo da aprendizagem, a qual pode ser normal ou não-normal. Também parece ser consensual a necessidade imperiosa de se identificar e prevenir o mais precocemente possível as dificuldades de aprendizagem, de preferência ainda na pré-escola.

SALA DE AULA: espaço de construção da aprendizagem

Conforme Gusmão (2001), diante de tantos saltos e conquistas educacionais realizados ao longo da trajetória histórica, tem-se notado as atenções atribuídas ao espaço de sala de aula desde a década de 60 até a atualidade.

Segue a referida autora informando que, desse modo, surge um questionamento acerca do espaço de sala de aula, pois frente ao processo de globalização e modernidade, a sala de aula ainda pode ser considerada um ambiente propício à construção da aprendizagem? Ou a sala de aula foi criada, segundo Enguita (1990, p. 89), ”para disciplinar, manipular e observar os movimentos e ações dos educando e, desta forma, moldá-los para seguir padrões já estabelecidos”.

Hoje, qual é a real concepção de sala de aula, ou ainda perdura a concepção tradicionalista e a mesmice?

Questionamentos como estes, diante de uma sociedade onde reina a informação pela informação, a técnica pela técnica, sem um referencial teórico e metodológico, que as fundamentem atribuindo-lhes significado, têm sido as preocupações constantes dos profissionais da educação na luta por possíveis soluções para reversão deste quadro.

Assim, para que a sala de aula venha a ser um ambiente favorável à aquisição do conhecimento e solução das dificuldades de aprendizagem que porventura se apresentarem é necessário o educador ser comprometido, criativo, dinâmico e que respeite as individualidades de cada educando, valorizando a realidade e as vivências dos mesmos.

Isso porque, numa ação conjunta e integrada, possa favorecer e estimular a cooperação, o diálogo, a democracia e a autonomia do indivíduo e do grupo, onde o prazer de estar na sala de aula seja comum a todos.

3.0 METODOLOGIA

A metodologia aplicada neste trabalho baseou-se na pesquisa bibliografia. Segundo Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos relacionados com o estudo em questão.

Sendo assim, na realização desta pesquisa bibliográfica serão utilizados os seguintes procedimentos:

a) Seleção bibliográfica e documentos afins à temática e em meios físicos e na Internet, interdisciplinares, capazes e suficientes para que o pesquisador construa um referencial teórico coerente sobre o tema em estudo, responda ao problema proposto, corrobore ou refute as hipóteses levantadas e atinja os objetivos propostos na pesquisa;

b) Leitura do material selecionado;

c) Análise e reflexão crítica sobre o material selecionado;

d) Exposição dos resultados obtidos através de um texto escrito.

O material bibliográfico para a pesquisa foi retirado na Biblioteca da UNIJUI, além de sites da Internet, citados nas referências bibliográficas do artigo. Ressalta-se ainda que a coleta do material, bem como análise do mesmo ocorreu no início do mês de maio de 2010.

4.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As dificuldades de aprendizagem podem ser consideradas como algo que absorve uma diversidade de problemas educacionais. Desta forma, freqüentemente este termo é mal interpretado, em parte devido às várias definições que lhe foram atribuídas. O estudo em questão representa um campo bastante amplo e complexo, que abrange fatores sócio-culturais, econômicos, pedagógicos, psicológicos e familiares.

É relevante a compreensão das dificuldades de aprendizagem tanto no nível escolar, bem como no nível familiar. Em ambos os contextos, a melhor compreensão das dificuldades apresentadas pela criança, auxiliam o processo de viabilização de soluções. No entanto, há de se perceber a interligação que deve existir entre escola e família, pois juntas poderão reconhecer e trabalhar as dificuldades de maneira a modificar o quadro que se apresente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRANDÃO, A. VIEIRA, C. Definições e indefinições da aprendizagem. São Paulo: Summus, 1992.

CASAGRANDE, Antonio Cledes. Educação, interdisciplinaridade e aprendizagem em Habermas. Ijuí: UNIJUI, 2009.

CARVALHO, Ronita Edler. Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva. 2.ed. Porto Alegre:  Mediação, 2000.

CORREIA, Luis M. Dificuldades de aprendizagem: contribuições para a clarificação e unificação de Conceitos. Braga: Associação de Psicólogos Portugueses, 2001.

ENGUITA, Mariano. A face oculta da escola. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 27.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

GARCÍA, J.N. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

GUSMÃO, Bianca B. de. Dificuldade de aprendizagem: um olhar crítico. Pará: UAM, 2001.

KIGUEL, D.G. Psicologia da aprendizagem. São Paulo: São Paulo: Paz e Terra,

1996.

SOARES, Dulce Consuelo R. Os vínculos como passaporte da aprendizagem: um encontro com Deus. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003.


[1] Aluno do curso, de Pós-Graduação Stricto Sensu em Desenvolvimenteo , Direito Cidadania e Desenvolvimento, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI.

[2] GARCÍA, J.N. Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

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